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31/07/2018 | 11:48 | Praia Notícias | Polícia

Polícia pede prisão preventiva de pai que criou campanha para tratamento do filho

Delegada da Polícia Civil indiciou pais que pediram R$ 3 milhões em "vaquinha", mas são suspeitos de desviar o dinheiro que ajudaria menino com doença rara

Campanha teve início em março e arrecadou R$ 3 milhões em dois meses (Cleber Gomes / Especial)


A Polícia Civil de Joinville (SC) pediu, na sexta-feira (27), a prisão preventiva de Renato Openkoski, suspeito de desviar recursos de uma campanha milionária criada para custear o tratamento do filho Jonatas Henrique, de dois anos, diagnosticado com doença rara. O pai é visto como o principal articulador do esquema.


Ao entregar o inquérito ao Ministério Público, a delegada Georgia Bastos indiciou Renato e Aline, mãe de Jonatas, pelos crimes de estelionato e apropriação indébita. O casal arrecadou mais de R$ 3 milhões e é suspeito de desviar o dinheiro para obter vantagens. A prisão preventiva da mãe só não foi solicitada porque a delegada entendeu que ela cuida do filho. 


Em março, a polícia apreendeu, na residência do casal, um carro de R$ 140 mil, joias e acessórios de luxo, aparelhos de TV e vídeo game, uma luneta, brinquedos e uma carabina utilizada para tiro esportivo avaliada em R$ 4 mil. No inquérito, a delegada afirma que uma viagem para Fernando de Noronha em dezembro do ano passado também foi paga com recursos da conta da "vaquinha".


A Polícia Civil também cita como exemplo a compra de móveis e equipamentos para o quarto de Jonatas Henrique, ainda em 2017, quando testemunhas afirmaram que o casal pedia dinheiro em mãos – e não doações via transferência bancária. Renato e Aline alegavam que a conta da campanha estava bloqueada, o que só ocorreu efetivamente em janeiro deste ano. Com isso, não é possível verificar a forma de utilização das doações.


Com base no artigo 89, previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência, a vítima citada pela Polícia Civil é o menino de dois anos, já que o crime apontado é de "apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão, benefícios, remuneração ou qualquer outro rendimento de pessoa com deficiência".


A delegada recomenda que seja feito um leilão dos itens apreendidos para que o dinheiro seja revertido ao tratamento de Jonatas. O pedido de prisão preventiva do pai foi feito, segundo Geórgia, porque "parece ser a única forma de pará-lo, ele continua usando vários artifícios para sensibilizar as pessoas e fazê-las continuar doando".


— No caso da mãe, como o bem-estar do menino é prioridade e entendemos que ela cuida bem do filho, pedi uma medida cautelar para proibir seu contato com os seguidores. Se o pedido de prisão não for aceito, essa é a sugestão para o pai também — afirma a delegada. 


A Polícia Civil pede também o indiciamento por falso testemunho do médico Danny Cesar,  amigo da família que havia afirmado em depoimento ter presenteado o casal com R$ 10 mil, supostamente usados para pagar a viagem a Fernando de Noronha. O médico aparecia em uma planilha de prestação de contas enviada ao Judiciário pela família, com uma remuneração de R$ 5 mil por mês pelo trabalho como nutrólogo. À polícia, ele negou ter prestado o serviço à família. 


Jonatas tem uma síndrome chamada de Atrofia Muscular Espinhal (AME) de tipo 1, a mais grave no quadro da doença. Em março de 2017, seus pais deram início a uma campanha com meta de R$ 3 milhões para custear um tratamento inovador que retardaria os efeitos da síndrome. O valor foi alcançado em dois meses. 


A reportagem do jornal A Notícia tentou contato com a advogada do casal, mas ela  não retornou a ligação. O Ministério Público informou que o inquérito ainda não havia chegado à promotoria até o fim da tarde desta segunda-feira. 

Fonte: Gaúcha ZH

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