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25/01/2020 | 05:13 | Política

Morre aos 84 anos o ex-presidente da Câmara dos Deputados Ibsen Pinheiro

Um dos principais nomes do MDB no Rio Grande do Sul, ele comandou a Casa entre 1991 e 1993

Ibsen Pinheiro no seu último mandato na Assembleia Legislativa, encerrado em 2018 - Marcelo Bertani / Agência ALRS


O ex-deputado federal Ibsen Pinheiro morreu na noite desta sexta-feira (24), aos 84 anos. Ele realizava um tratamento de saúde no hospital Dom Vicente Scherer, na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, quando teve uma parada cardiorrespiratória. Ibsen morreu por volta das 21h. De acordo com a assessoria do MDB do Rio Grande do Sul, o velório do ex-deputado ocorrerá das 9h às 16h deste sábado (25) na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.


A notícia foi confirmada pela nora de Ibsen, Cassia Zanon. Segundo ela, o político foi ao hospital  nesta sexta para uma aplicação. Ele passou mal e não resistiu. Ibsen morava no bairro Petrópolis, na Capital.


— Almoçamos ontem, ele estava animado porque se sentia melhor. A sensação que fica é de que parecia que ele estava se despedindo da gente — conta Cassia. — Não é algo que a gente esperava, porque, apesar da idade, a cabeça dele estava como todos sempre conhecemos, lúcida, bem-humorada.


O MDB do Rio Grande do Sul emitiu uma nota de falecimento no final da noite desta sexta.


"A perda desse grande companheiro – uma das mentes mais brilhantes da política brasileira – deixa um vazio no coração do MDB de todo o Rio Grande do Sul e do Brasil", afirmou o partido.


A esposa dele, a jornalista Laila Pinheiro, morreu em 2013. Além da nora, Ibsen deixa um filho e uma neta.


Nascido em São Borja em 5 de julho de 1935, Ibsen foi presidente da Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993. Em 1992, comandou a sessão que levou ao impeachment de Fernando Collor. Foi também presidente do PMDB do Estado, deputado estadual e vereador. 


É conhecido ainda pela sua atuação como jornalista, procurador de justiça, promotor, advogado e ex-dirigente do Sport Club Internacional.


Início da carreira


Ibsen começou a sua carreira como jornalista, trabalhando na prefeitura de Porto Alegre entre os anos de 1959 e 1960. Durante a década de 1960, trabalhou na Rádio Gaúcha e no jornal Zero Hora, escrevendo principalmente artigos sobre esporte.


Em 1969, chegou pela primeira vez à vice-presidência do Internacional, em um grupo chamado "Os Mandarins", que ficou na história do clube por liderar uma era de conquistas que culminou com os títulos do Campeonato Brasileiro em 1975, 1976 e 1979.


Ibsen retornou aos microfones da Rádio Gaúcha em 1971. Na década de 1970, foi membro também do programa Sala de Redação, então apresentado por Cândido Norberto. 


Ingresso na política


Ibsen foi eleito pela primeira vez em 1976, assumindo o cargo de vereador de Porto Alegre pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Conhecido por sua verve e sua qualidade no discurso, ele logo começou a despontar, elegendo-se deputado estadual em 1978 e deputado federal em 1983. Reelegeu-se em 1986, participando da construção da Constituição de 1988.


Atuação parlamentar


No início da década de 1990, Ibsen Pinheiro foi um dos nomes mais importantes da política nacional. Presidiu a Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993, liderando a casa legislativa durante o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992.


Afastamento


Em maio de 1994, diante do escândalo dos anões do Orçamento, Ibsen teve o seu mandato cassado por 296 votos favoráveis, 139 contra e 24 abstenções, em um processo controverso. A ação criminal, entretanto, foi arquivada por falta de provas em 1995.


Volta à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa


Ibsen se reelegeu deputado federal em 2006. No ano de 2009, foi relator do texto que previa uma reforma política. O texto, entretanto, não foi adiante. Em 2010, relatou o projeto que previu a redistribuição dos royalties do pré-sal.


Ele também se reelegeu deputado estadual em 2014, cumprindo seu mandato na Assembleia Legislativa até 2018. No ano de 2016, voltou ao Internacional como vice-presidente de futebol. 


Repercussão


O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, lamentou a morte e disse estar muito emocionado. 


— Ibsen estará sempre guardado no meu coração. Um exemplo pra mim. Tive a oportunidade de conviver e aprender muito com ele. Perdemos um homem público diferente — afirmou, em entrevista à colunista Kelly Matos. 


O governador Eduardo Leite lamentou a morte pelo Twitter.


— Foi absolutamente fundamental e decisivo, colocou sua inteligencia e articulação a favor da construção da democracia no país — afirmou o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça em entrevista à Rádio Gaúcha. — Ele instituiu os caminhos para hoje termos uma democracia que funciona, que resiste, isso é graças a um modelo institucional do qual Ibsen foi um dos operários. É um patrono de nossa história, do nosso passado político — complementou.


— O trabalho que ele realizou sempre foi respeitado, tanto na política como no esporte, inclusive por aqueles que não são torcedores do Internacional. A gente tem que saber que o Ibsen vai, mas deixa história de trabalho, dignidade, de um homem que semeou coisas boas — disse o ex-governador do RS, Germano Rigotto.


Ex-governador do Rio Grande do Sul e companheiro de Ibsen no PMDB, José Ivo Sartori elogiou a intelectualidade do colega e confessou que sempre o consultava antes de tomar decisões importantes. No Twitter, Sartori chamou Ibsen de "grande amigo" e "referência política".


— Durante o nosso governo, inúmeras vezes o acionei antes de tomar decisões. Eu sabia que as ideias dele eram sempre inspiradas pelo interesse público. Ele sabia melhor do que ninguém o significado desse valor. Ibsen foi um grande ser humano, portador de uma sensibilidade política e de uma elevação intelectual incomum. Deixa um legado de retidão, ética e coerência. Jamais faltou ao MDB, ao RS e ao Brasil. Descanse em paz, meu querido amigo. À família, meus mais profundos sentimentos — escreveu o ex-governador do Estado.


O ex-presidente do Internacional, Fernando Carvalho, também lamentou a perda.


— Um pensador colorado, com ideias claras, com ideias definidas, com uma ideia de futebol. Durante muito tempo, na década de 70, essas ideias prevaleceram no nosso clube, foi uma época vitoriosa. (...) Depois tivemos uma grande convivência no clube, sempre companheiro, sempre solidário, sempre aparecendo para ajudar em momentos difíceis durante a minha gestão, que foi de 2002 a 2006, ele esteve sempre ao lado e, em momentos decisivos, foi uma palavra que muitas vezes conduziu as minhas atitudes — disse Carvalho.


O ex-presidente do Grêmio Luís Carlos Silveira Martins, o Cacalo, afirmou que aprendeu muito com Ibsen:


— Te confesso que fiquei muito triste. Tinha uma convivência excelente, extraordinária. Faz 10 dias, 15, que eu, o Ibsen e o Márcio, filho dele, estivemos num restaurante. Ele parecia muito frágil fisicamente. Sempre respeitei muito o Ibsen. Pela sua experiência, sabedoria. Ele sabia ensinar muito quem era um pouco mais moço do que ele. Ele me ensinou muitas coisas sobre o debate. Uma vez ele me disse "O debate faz parte da nossa atividade. Tem momentos que tu vai ganhar e outros que tu vai perder. Temos que ter consciência que se hoje tu vai ganhar, amanhã tu vai perder".

Fonte: Gaúcha ZH

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