Publicidades

27/03/2020 | 05:16 | Polícia

Suspeito de ataques com ácido em Porto Alegre é um dos mais de 3 mil detentos soltos em meio a pandemia

Juíza ponderou que ele faz parte do grupo de risco da covid-19

Reprodução


Réu pelos ataques a cinco pessoas com ácido em junho de 2019 em Porto Alegre, Wanderlei da Silva Camargo Júnior deixou o Presídio Central nesta quarta-feira (25) em meio à pandemia de coronavírus. Nos últimos dias, mais de 3,4 mil foram soltos no Rio Grande do Sul. Segundo a decisão judicial que revogou a prisão preventiva, ele sofre de hipertensão e faz parte do grupo de risco da covid-19.


O suspeito estava preso desde outubro de 2019, após investigação da Polícia Civil apontar que ele era o responsável pela série de crimes, que tinha vítimas aleatórias. Ele foi capturado em Curitiba, onde mantinha uma empresa de turismo. Segundo a polícia, os ataques tinham a intenção de mostrar para sua ex-companheira que Porto Alegre é uma cidade violenta e convencê-la a ir morar com ele na capital do Paraná.


A magistrada Carla Fernanda de Cesaro Haass justificou, em seu despacho, a necessidade de seguir a recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina a reavaliação das prisões preventivas existentes há mais de 90 dias durante a crise da doença. 


A juíza também levou em consideração que o acusado é réu primário. Disse ainda que estão pendentes resultados de perícias que são aguardadas "há mais de dois meses" e que, mesmo estando preso há mais de seis meses, ainda não foi encerrada a fase de instrução do processo — destinada à produção de provas.


Como medida cautelar à prisão, a Justiça determinou que ele não deve se aproximar das vítimas e da ex-companheira, "proibido com elas qualquer espécie de contato". Também determinou que ele "não frequente os locais em que ocorreram os delitos".


O Ministério Público é contrário à soltura do réu. A promotora de justiça Fernanda Dillemburg recorreu da decisão e ajuizou medida cautelar no Tribunal de Justiça para suspender o recurso. 


Procurado por GaúchaZH, o advogado do réu, Wellington Alves Ribeiro, disse que a juíza "agiu de forma assertiva e correta, atendendo ao pleito da defesa". Ainda comentou que a concessão da liberdade é "técnica, motivada principalmente pela demora de prazo para produzir prova".  O advogado ainda garantiu que seu cliente "se compromete a comparecer a todos os atos processuais a que for chamado".


Receba duas vezes por dia um boletim com o resumo das últimas notícias da covid-19. Para receber o conteúdo gratuitamente, basta se cadastrar neste link


Relembre o caso


Entre os dias 19 e 21 de junho deste ano, cinco pessoas foram vítimas de ataques com líquido ácido nas ruas Santa Flora, no bairro Nonoai, e Francisca Prezzi Bolognesi, no bairro Hípica, na zona sul de Porto Alegre.


Durante a investigação, os policiais chegaram ao nome do empresário Wanderlei da Silva Camargo Júnior, 48 anos. Ele foi preso em 4 de outubro, em Curitiba, no Paraná.


Informalmente, Camargo Júnior disse aos policiais que pretendia mostrar à ex-companheira que os locais que ela frequenta não eram seguros — os ataques foram em trajetos que a mulher usava. Assim, queria convencê-la a morar com ele no Paraná. Segundo a polícia, as vítimas foram escolhidas aleatoriamente.


A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público contra o empresário em 22 de outubro, e Camargo Júnior virou réu, respondendo por lesões corporais graves e leves, ameaça, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e furto.

Fonte: Gaúcha ZH

Mais notícias desta categoria

Publicidades


Mario Junior designer